Um misto de sentir e pensar pode inundar nosso ser quando reconhecemos o outro, quando experimentamos o outro, ou mesmo quando apenas imaginamos o outro. Difícil é ser um só enquanto se sente um infinito de emoções indescritíveis, a cada instante... E, não presas a instantes definidos, as emoções invadem também nossa razão e ultrapassam a percepção dos sentidos ditos conscientes.
Difícil... talvez porque estejamos, na maior parte do tempo, tentando controlar o que não pode ser controlado. Complicado é o pensamento quando tenta expressar um sentimento por meios racionais que não alcançam seu poder ou sua "verdade"... Confundimos a nós mesmos e provocamos contradições... Afinal, o que é a "verdade"???
Pensar o que é pra ser pensado.
Sentir o que é pra ser sentido.
Parece simples.
Talvez seja, até simples demais.
Mas,
Quem é o ser que está "pensando"?
Quem é o ser que está "sentindo"?
Quem, em essência, estamos "experimentando" quando nos relacionamos com a outra pessoa?
Experimentamos a nós mesmos...
A pele que toca é tocada.
O abraço nos circunda de "estímulos" e percebemos que existimos como corpos físicos quando somos tocados pelo outro.
Leo Buscaglia, em seu livro "Vivendo, Amando e Aprendendo" descreve algo assim:
Sabemos que estamos vivos quando alguém nos abraça. Antes, podemos até supor que somos apenas "pensamento"(...)
Encontre-se dentro de cada abraço.
Nós "sentimos" o mundo traduzindo os sinais que vem dos outros...
Somos o filtro dos nossos próprios sentidos...
E também quem "interpreta" tudo aquilo que invade nossos sentidos.
Quanto mais "atentos", quanto mais "receptivos" formos, mais "sinais" poderemos perceber...
Nem todos os "sinais" vem do outro.
Talvez a maior parte venha de nós mesmos.
Nossos desejos e expectativas podem reforçar elos, ou também reprimir impulsos na direção do outro.
Podemos criar asas ou correntes... quase com a mesma força, mas efeitos opostos.
Simples... viver e desejar experimentar...
Complicado... permitir-se experimentar a verdade pura das coisas e das pessoas...
Aquela que é... independente do que pensamos a respeito.
Simples... tudo é.
Lembre-se de que antes de você descobrir algo, esse algo já existia, só não tinha um conceito pra você.
Assim também são as pessoas... cada um de nós é, independentemente de quaisquer "conceitos".
Criamos amarras... Comparamos demais... "Agregamos" valores, morais ou materiais, para coisas e também para pessoas...
Escolhemos... a todo momento escolhemos, selecionamos e também descartamos...
Observe quais são as suas "motivações" a cada escolha que faz... E ouça seu coração...
Criamos "pré-conceitos" baseados em outros "velhos conceitos".
.. E esses nos impedem de experimentar o "todo" do outro e também o quanto nós mesmos podemos expandir nossos limites.
Ou nos reconhecer "sem limites"...
Somente uma mente aberta permite que o pensamento flua...
Libertar-se de tantas amarras é preciso.
Aceitar-se para se conhecer é vital.
E perdoar-se para se libertar... Os piores preconceitos são aqueles contra nós mesmos.
Seu próprio eu é seu amigo mais íntimo, mas você não o conhece...
E ainda o busca nos outros.
É difícil, mas é necessário... libertar-se para experimentar ser de verdade... Realizar a si próprio.
A não ser que realmente não queiramos chegar a "descobrir".
A não ser que alcançar e experimentar apenas a superfície, em si mesmo, nas coisas e nas pessoas, seja o bastante...
Eu acho que não é.
